Ex Mirassol escapou de dois atentados no Iraque - Cidade Clube - O Clube do Esporte

Últimas

Cidade Clube - O Clube do Esporte

O Clube do Esporte

28/12/2016

Ex Mirassol escapou de dois atentados no Iraque

Foto: Célio Messias
Herlison Caion de Sousa Ferreira, mais conhecido apenas como Caion, foi jogador do Mirassol Futebol Clube nos anos de 2012 à 2014. Em 2013 foi onde o atacante ganhou projeção nacional ao bater junto com seus companheiros a equipe do Palmeiras por 6x2, no estádio José Maria de Campos Maia, o Maião. Naquela partida ele balançou a rede duas vezes. Após a partida diversos clubes brasileiros procuraram o jogador, que no final do Paulista daquele ano acabou se transferindo para a equipe do Nautico de Recife. Hoje, Caion atua pelo Juventude de Caxias do Sul.

Durante sua trajetória pós Mirassol, o atacante aceitou uma proposta do Al-Shorta Bagdad com a promessa de um bom salário. 

Para o site da ESPN, o atacante recorda várias passagens curiosas pelo Iraque: "Eu fui para o Iraque por causa de dinheiro mesmo. Estava há quatro meses sem salário na Portuguesa e vi que não iria receber. Foi uma coisa de louco... Fiquei na dúvida se ia, falei com a minha esposa. 'Será que eu me arrisco?'. Era muito dinheiro, mas o país estava em guerra. Eu achava melhor não, mas aí ela acabou me convencendo. A comissão técnica era brasileira, o clube pagava certinho, tudo certo...", conta.

"Onde eu iria morar, em teoria, era uma região que não estavam em conflito. Aí uma semana depois que cheguei no hotel onde morava, explodiu um carro bomba. Foi um dia antes da minha estreia isso, bem no hotel que nosso time ficava. Foi desesperador. Os iraquianos tentavam nos acalmar, mas foi um pânico", relembra o atleta.

"Eu fiquei um ano lá, e como tinha internet no quarto, não queria saber de sair para a rua. Morria de medo de sair do hotel, tinha medo de bomba explodir comigo perto. Minha esposa foi nos últimos cinco meses que morei lá, mas ficou só dois e voltou para o Brasil", relata o centroavante.

"Teve até mais uma história curiosa. Quando minha esposa estava lá, a gente saía do hotel toda noite para tomar um sorvete. Só que ela voltou ao Brasil porque ficou mal, precisou fazer uma cirurgia e eu parei de ir. Uma semana depois que ela foi embora, explodiu um carro-bomba na lojinha que a gente ia comprar sorvete, exatamente no horário que a gente costumava ir. Eu nasci de novo", afirma.

"Fiquei em choque... Se ela não tivesse voltado ao Brasil, nós teríamos morrido lá, porque certamente estaríamos na loja naquele horário, já que íamos todo dia, sempre. Se minha esposa não tivesse ido embora, não gosto nem de pensar no que poderia ter acontecido", diz.

"Os caras lá parecem que não tem medo de morrer. É sério. São totalmente diferentes da gente. O presidente do nosso time era muito querido, mas foi deposto pelo Governo. Era um cara muito honesto, muito gente boa. Aí teve um torcedor que derramou gasolina e colocou fogo no próprio corpo em protesto. Ainda salvaram o cara, não deixaram morrer. Eu vi tudo isso ao vivo, e pensava: 'Onde é que eu fui me meter?'. Foi uma experiência muito louca", recorda.

Após a passagem pelo futebol iraquiano o atleta atuou pelo HB Koge, da Dinamarca, Cruzeiro-RS, Atletico Goianiense até chegar ao Juventude clube que conseguiu o acesso pra Série B do Campeonato Brasileiro em 2016.

Wesley Campofredo